Iniciamos este blog em outubro de 2008, para divulgar o lançamento do livro de Francisco Dias da Costa Vidal sobre suas memórias da Praia do Hermenegildo. Mas continuaremos contando sobre nossos passeios, nossas experiências, nossas artes, e as novidades do nosso Planeta. Convidamos a todos os amigos a participarem e assim, continuarem a fazer parte da nossa história! Sejam Bem-vindos!

domingo, 24 de julho de 2011

Parati / RJ - FLIP, cidade histórica (1)

Nossa ida a Paraty se deu no dia 05 de julho.

Eu, sai de Macaé, no Estado do Rio e os papis chegavam de POA, no Galeão. 
Tudo programado, chegamos em Paraty às 18h. Jantamos e fomos para a Pousada.
Chegamos para a FLIP - Festa Internacional Literária de Paraty - 05 a 10 de julho 2011 - 8ª edição.
Os dias estavam nublados e depois de muito frio no sul do Brasil, o clima por aqui estava instável. Nunca fez tanto frio no Estado do Rio - mínimas de 10 graus em Macaé e 8, em Paraty.
Por isso em muitas fotos estaremos de blusa de manga comprida. Mas isso ajudou muito nos passeios - caminhando tudo ficava confortável. A proximidade da serra, do mar e de SP (com temperaturas mais frias) a região sul do RJ é instável.


(foto - rua de entrada da cidade histórica)
Quando se fala de Paraty, até chegar lá, não se tem a idéia real da cidade. Ela tem várias facetas.
- Cidade de Paraty
- Cidade Histórica
- Região costeira

A cidade não é muito grande e nem muito desenvolvida. Nela estão as pousadas, o comércio, a vida normal.Na cidade histórica estão os bares, pubs, restaurantes, pousadas, museus, lojas, atelies, igrejas e algumas poucas moradias.
Durante a FLIP - existe um clima cultural intenso. Os turistas são muito parecidos - de crianças a idosos, todos com interesses comuns. Os livros, os painéis com autores, os stands, as lojas com lembranças, as músicas e os músicos, os poetas autônomos pelas ruas vendendo seus livrinhos, os personagens, como o "homem borboleta" que já havia estado no Programa do Jô, os declamadores de poemas e os de cordel...mas a livraria era o local preferido, onde todos estavam "mergulhados".
Antes do final de semana, as ruas ainda estavam vazias ou circuláveis, mas depois...tudo cheio.
Na cidade histórica, vê-se algumas casas muitos mais cuidadas e preservadas do que outras. Destacam-se quatro - a casa de um francês, a casa da família Roberto Marinho, a casa dos Bragaça e de Amir Klink.
Difícil mesmo é caminhar pelas pedras - nem tão dificil, dependendo da rua que se escolhe. As charretes são uma opção divertida de passeio, para descansar, ver algumas localidades específicas, saculejar um pouco e rir com o passeio.

Alguns prédio são lojas modernas, de roupas ou de artesanatos, quadros, artes em geral.

Outras são bares com som ao vivo, mesinhas na calçada, quer dizer, na rua, nas pedras.
Os detalhes das casas é uma peculiaridade e dependendo do ângulo, oferecem história e fotos maravilhosas.

Dentro delas também boutiques, atelies e profissionais autônomos - psicóloga!!! 
As surpresas em Paraty são muitas!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Adaptador é resgatado

Depois de um mês de procura pela casa, a Mamita achou o AC power adaptor Sony AC-E455 da filmadora da Ana Teresa. Estavam sendo vasculhados todos os quartos de cima, onde era mais provável encontrá-lo, mas qual filho pródigo ele não dava as caras nem parecia querer voltar às origens fluminenses.

Ninguém ia procurar um carregador no meio das frutas, e quem quisesse bananas (Papito, na foto) não daria a mínima para uns fios velhos jogados abaixo delas. Como na parábola bíblica, o Filho perderia todos seus recursos e terminaria dando comida aos porcos (Lucas 15, 15).

No último dia, a esperança foi reestabelecida (João 6, 39). A saída era procurar no lugar menos pensado, e mesmo assim os fatos ocorreriam no dia menos esperado (Lucas 12, 40).

Os ensinamentos me servirão para agora encontrar o celular que perdi ontem domingo.

sábado, 16 de abril de 2011

O batalhão de elefantes



Em 1967, a Disney produziu o filme de animação "Mogli, o Menino-Lobo" (The Jungle Book), inspirado no clássico de Kipling "O Livro da Selva". Uma das partes cômicas mostra a Patrulha da Madrugada (ou da Selva), um pelotão de elefantes liderados pelo Coronel Hathi (no filme) ou Tóti (histórias impressas). O personagem original do livro era um elefante sábio chamado Hathi, palavra que significa "elefante" no idioma da Índia.
O desenho animado satiriza os exercícios militares norte-americanos, de moda na época da Guerra do Vietname (1959-1975). Os movimentos de paquidermes também podem ser associados à baixa inteligência e ao pensamento conservador. Nos EUA, o elefante simboliza o Partido Republicano, partidário da proteção militar do mundo. No nível familiar pode ler-se uma crítica ao autoritarismo obsessivo dos adultos, muito falado na década de 1960. Abaixo, a versão da cena em espanhol mexicano (veja o original em inglês e a versão alemã).

sábado, 12 de março de 2011

Curitiba no Carnaval




Ir a Curitiba no Carnaval é fugir de tudo que significa axé, fabtasias, blocos, desfiles e bagunça.



Ruaas vazias, mas ideal para pessoas que gostam de uma cidade turística pronta para atender os poycos que andam por ali.


No centro, um sossego incomparável.


Caminha-se tranquilamente. E em pleno Carnaval um frio inesperado.
A Universidade Federal do Paranám na fotos.




O Jardim Botânico, passeio obrigatório.

Tudo geito com o ônibus turístico, antiga "jardineira", que vai de parque em parque.








A praça do Japão, toda iluminada e descanso obrigatório dos cachorrinhos que moram nos prédios do "Água Verde".

O inesquecível Parque Barigui - saudade daqueles domingos!







A torre da Telepar - 360° de pura admiração!


foto - lá em cima da torre.










Praça do Relógio das Flores, do Cavalo, feirinha de domingo - muita agitação!




Curitiba tem de tudo! É para todos os gostos e necessidades!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Dizem que coincidências não existem!

Foto - Suzana e eu em Buzios, 2010.

Não posso deixar de contar esta história do cotidiano, mas que raramente acontecem!

Eu participo de um grupo de Recursos Humanos em Macaé, do qual sou coordenadora.
Isso tem me aproximado a muitas pessoas novas e me trazido muitas alegrias.
Claro que participar de uma rede de profissionais de qualquer forma é sempre interessante e estratégico, pelas informações que se têm acesso antes que os demais.

Foi assim que, através de uma das coordenadoras da UFF (Universidade Federal Fluminense), Suzana Lima, entrou em contato comigo. Assim que recebi o e-mail, liguei.
Conversando, e percebendo o sotaque dela bem portoa-alegrense, perguntei de onde era.
Ela recém chegada de Brasília, me disse que apesar de parecer da capital, era nascida em Pelotas, como eu. Minha conterrânea a contemporânea.

Com a finalidade de integrar a UFF à comunidade, ela nos convidou a participar de um painel numa das turmas de Psicologia do Trabalho, da qual é professora.

Foto - Painel na turma de Psicologia, na UFF-Rio das Ostras-RJ - 2010
(Suzana à esquerda de blusa branca)

Então, enquanto isso, fui averiguando quem era a Suzana e se já nos conhecíamos da época do colégio. Mas não nos cruzamos por lá, nem no Colégio São José e nem no Pelotense, onde eu estudei. Ela faz parte daqueles que fizeram outro caminho - Salis Goulart e Gonzaga. Mas eu tive amigos que estudaram no Gonzaga. O pai dela, segundo o que ela me disse, escrevia no Diário Popular. Eu disse que o meu também. Eu falei que meu pai era psicólogo (um dos primeiros de Pelotas) como ela.
Era muita coincidência!
Foi então, que minha mãe me disse - Sabe quem é a avó da Suzana!? A Dona Ivete. Quando cheguei no Brasil, em 1960, as únicas que me ofereceram boas-vindas, foram as professoras do CAVG (Colégio Agrotécnico Visconde da Graça), onde o "Papi" era professor. O chá de boas-vindas foi na casa da Dona Ivete.
Poxa, que surpresa!!! Que histórias cruzadas!!! Que coincidência de "novela"!!!
Depois de 50 anos, exatos 50 anos, eu tinha a oportunidade de "agradecer" e "devolver" a recepção que a avó da Suzana tinha feito a minha mãe, recebendo-a aqui em Macaé.
Foi assim que fomos juntas a Búzios e a recebi em minha casa - mas desta vez, para tomar chimarrão!!!
Bem-vinda, Suzana!!!!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Barreiras



Tenha dúvidas daquilo que dizem de você.
Mas acredite se vier de um coração sincero.
Não deixe que suguem, enquadrem ou desmanchem você,
mas entregue o que você tem de melhor,
se quem estiver olhando, enxergar seu sorriso e suas lágrimas.
Porque ninguém tem o direito de invadir você
com palavras se não forem ditas com a alma.
AnaT2010

sábado, 4 de dezembro de 2010

Concerto para castanholas e orquestra


No concerto Voces para la Paz 2007, realizado em Madri, foi tocada uma peça para castanholas e orquestra: o trecho instrumental "Intermedio", da zarzuela La boda de Luís Alonso, de Jerónimo Giménez y Bellido (1854-1923). O regente da orquestra foi Enrique García Asensio. A solista, Lucero Tena, esteve inspirada até na expressão corporal.

Se bem foram criadas há 3 mil anos pelos fenícios, as castañuelas são consideradas hoje um instrumento nacional espanhol. Há concertistas nesse instrumento de percussão; eles estudam tanto como um pianista, mas o repertório para castanholas é principalmente folclórico. O nome é diminutivo de "castanha", por analogia da forma (na Andalucía também se conhecem como palillos, e nas Canárias chamam-se chácaras, com formato e etimologia mais da cultura arábica). Sempre no plural, são tocadas em pares: a mais aguda na mão direita.

O tocador de castanholas não tem uma denominação própria; a palavra castañuelero não se encontra no dicionário oficial espanhol, o DRAE. No livro "La tribuna del idioma", o linguista Fernando Díez Losada considera que essa palavra não está reconhecida porque - no flamenco - os bailarinos são os que tocam castanholas e não há no folclore um solista especial (p. 600). Em inglês, o Wiktionary reconhece a palavra castanetist (castanet player), mas o Merriam-Webster não.

Respirando Barça

(Foto - Barcelona - Plaza Real - 2003)
Ah, Barça dos meus sonhos! Jurei que voltaria!

A história está em todas as partes, o antigo e o novo, o som e o silêncio.
Cidade velha, dos museus, dos pubs, dos restaurantes.
Das praças e da catedral mais gótica que jamais imaginei.

Eu voltei porque te prometi - queria te ver no verão, lotada de gente,

De gente bonita, gente pintada, estátuas humanas, gente do mundo!!!

Quantas praças reais como esta visitei!
Mas nesta, eu morei, poucos dias, mas morei.

Portas pesadas de chaves velhas, subia todos os andares, escada íngreme e misteriosa. Dias de pura emoção, no terraço, com vista pro além mediterrâneo.

E de lá de cima, eu respirava Barça!

Ana Teresa - 2010

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Vagner teve duas sessões de autógrafos

No sábado 30 de outubro, Vágner autografou na Feira do Livro sua primeira obra de fôlego: "Redução da maioridade penal: análise da proposta pelos conselheiros de Pelotas". É a sua dissertação de mestrado, defendida em setembro de 2009 na Católica (foto à direita). Eu fiz a digitação desde o início e a revisão final (não creditado).

Ele já havia escrito artigos em revistas científicas e em jornais. O quilométrico título da dissertação ficou assim: "Redução da maioridade penal sob a ótica de uma sociedade excludente: um estudo de caso junto ao Conselho Tutelar e ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente em Pelotas". A defesa foi um sucesso, tanto na forma como no conteúdo.

Para integrar a banca, veio de São Paulo Berenice Couto (de preto na foto à esquerda), doutora em Serviço Social que ele cita nas referências bibliográficas. No dia da defesa, a banca indicou que publicasse em livro (orientador Antônio Chies) e, sem se melindrar, o Vagner pediu à gentil e admirada professora Berenice que escrevesse a apresentação. Ela aceitou e enviou por email esse prefácio em que elogia muito o autor e a obra.

À sessão de autógrafos na Feira, dia de lançamento do livro — editado pela EDUCAT mas não assumido pela livraria da UCPel — vieram cerca de uma dúzia de compradores, uma quantidade maior que o Vagner esperava e que o deixou muito satisfeito e orgulhoso (como estava em 2005, no casamento). Da família Vidal, somente eu e Ignez (com ajuda, animou-se a subir os dois degraus da sala de autógrafos).

Uma surpresa adicional veio um mês depois, quando a Editora da UCPel decidiu fazer uma sessão conjunta de 5 livros sendo apresentados: dois deles por primeira vez em Pelotas (vinham de fora) e três já lançados aqui, nas semanas anteriores.

Assim, o estreante escritor se viu lado a lado com uma psicóloga que também lançava sua dissertação em livro, com uma equipe de advogados, com o atual reitor Proença (tradutor de um livro espanhol) e com o velho professor Baruffa, italiano que ajudou a fundar a Universidade nos anos 60. Nada mau para alguém que começa.

Nessa ocasião não pude ir, mas Maria Eliana representou a família. O Vagner havia pedido expressamente o apoio moral dos amigos, pois achava que se sentiria muito só na multidão. Na foto do site da UCPel (abaixo), vê-se a multidão, e uma relativa solidão (o Vagner à esquerda; Maria Eliana segurando a Bárbara, à direita).

Entretanto, além dos exemplares presenteados, ele ainda vendeu mais uma dúzia, e se acabou a pequena edição (paga por ele mesmo). Só restou um livro, em casa. Para quem quiser comprar, está na Vanguarda e na livraria da EDUCAT.

Reportagem do Diário sobre barulho na cidade

Sexta passada veio uma jornalista do Diário Popular que pesquisava sobre o barulho noturno em Pelotas, Joice Bacelo. O contato foi feito por uma moça moradora do edifício Montreal, amiga do Marco Antônio. Ele veio aqui em casa naquela hora e também prestou depoimento (é a opinião de um jovem anônimo, citado na matéria).

A reportagem saiu hoje e não está no site do jornal (ainda). Ocupa duas páginas e tem 4 fotos: a maior mostra um decibelímetro marcando 78.8, abaixo apareço eu enjaulado pelo ruído, na outra página um elemento urinando e no fim uma imagem da Gonçalves Chaves defronte ao João Gilberto.

A legenda da segunda foto diz: Família de Francisco Vidal sofre com o barulho na Santa Cruz esquina Lobo da Costa.

A última diz: Quem mora próximo aos bares da zona universitária precisa ter uma paciência enorme para suportar a barulheira infernal durante algumas noites.

Clicar nas fotos permite ver as imagens aumentadas. Novo clique sobre a foto dá maior aumento.

PD: Veja aqui parte da reportagem do Diário, com um vídeo.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Boate se diz inocente

Em 28 de outubro passado, o clicRBS publicou a nota abaixo (o site já havia criado um título para notícias sobre Barulho). Depois desta argumentação de inocência, as festas não têm parado nesta casa de gritos, bebidas e batuques, nem sequer no domingo das eleições. Quem decide o que acontece na sociedade parecem ser os mais safados, e os prejudicados que se mudem (ou esperem as demoradas respostas da justiça, pois a polícia não pode agir). O número do processo para pesquisar o andamento no site da Justiça Estadual é 022/2.10.0011258-1 (dia 2 de dezembro há uma audiência de conciliação com a moradora demandante).

Boate que teve interdição determinada pelo MP nega situação irregular

Os proprietários e o advogado da boate Tô Atoa, na rua Santa Cruz, próximo à UCPel, que teve o pedido de interdição feito pelo Ministério Público nesta quarta-feira (27), negaram hoje a situação irregular do estabelecimento. Eles mostraram alvarás de funcionamento e o projeto de isolamento acústico aprovados pela prefeitura. Segundo os administradores da boate, foram feitas obras para evitar transtornos à vizinhança.
O processo de interdição foi motivado por um abaixo-assinado de moradores, que alegam excesso de barulho no local. No mês de julho a boate já havia sido fechada temporariamente por irregularidades, mas foi reaberta após a concessão de licenças.

O caso está tramitando na 6ª Vara Cível de Pelotas, e o Ministério Público aguarda decisão sobre o pedido de liminar. Enquanto isso, a casa continua funcionando normalmente.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O Ocaso



Creio no ocaso, 
Creio no acaso.
Na dor de renascer e na vontade de crescer


Creio que estás aqui, Creio no céu ou no mar
E no brilho do olhar que me ajuda a respirar


Creio em ti e em mim, na tua luz e na nossa luz
Creio nesse ocaso e que por acaso acabou de nos unir
AnaTe nov10

sábado, 13 de novembro de 2010

Chile...com sabor de poesia!

Foto - Na entrada da casa de Neruda, em Isla Negra, ainda sem saber extamente o que me aguardava.

Quando a minha mãe me contou que a Casa de Pablo Neruda, na Praia de Isla Negra, estaria no roteiro do passeio deles a Viña del Mar, decidi pegar o ônibus e fui passar um dia com eles.

Eu já estava em Santiago, mas não havia acompanhado ao passeio ao litoral. Havia decidido ficar com minha tia mais uns dias em Santiago.

Mas ir a Isla Negra seria maravilhoso e me revelaria o lado de Neruda que eu não conhecia.

Foto do quadro de Neruda, em Isla Negra.

Que os literatos perdoem meu atrevimento: falar de Pablo Neruda é para poucos! Parto do princípio que o importante não é narrar, descrever ou contar coisas, pois disso a internet está cheia mas, seguindo a idéia de Neruda, quero expressar sentimentos que rondaram naquela casa, nomeada “La Sebastiana”, no dia em que estivemos por lá.

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Naquele dia ensolarado de fevereiro, esperamos as guias turísticas nos buscarem de Van no Hotel para levar-nos até a “La Sebastiana”. Conosco os norte-americanos Deweys, Brad e Carol, pais do Tom, nosso "irmão" no ano de 77 em Pelotas, pelo intercâmbio do AFS.

Faltava pouco para o começo do Festival de Viña. O Hotel O’Higgings estava “fervendo” com os fãs, canais de televisão e repórteres.
Quando cheguei a Viña, quis entrar no Hotel e fui barrada pelos seguranças: “su credencial, señora!”. Mas consegui esperar os papis do lado de dentro.


Foto - Vista da praia desde o túmulo de Neruda.

Mais do que a própria poesia, fui lá para descobrir o que “movia” aquele homem tão romântico e sensível. Queria saber o que lhe inspirava tanto a escrever coisas tão profundas sobre o amor e as relações humanas.


Assim, fomos no dia seguinte à Isla Negra.

Fomos em direção a Santiago, oeste, e logo depois, dobramos à direta, tomando rumo ao litoral sul. A viagem durou 1 hora e meia, com direito a 2 paradas: uma num paradouro e outra em um mirante, onde tirarmos fotos da vista de Valparaíso e Viña del Mar.

Chegamos a Isla Negra.

Isla Negra é um lugarejo turístico, como algumas praias no litoral chileno: tranqüila, discreta, rochosa, íngreme, com ruas de terra e alguns turistas que admiram suas águas brabas e geladas e aproveitam o sol forte do verão.

Mas a Casa de Pablo Neruda é particularmente visitada: pessoas que vêm de longe....muito longe, atrás de sua história e poesia! Mas chilenos também que vão atrás de sua própria cultura.

Foto - ao fundo, a Casa de Neruda.

Revendo as fotos da visita, me lembro do detalhes românticos que ele pôs em cada detalhes e suas frases sobre cada cantinho.


Ví no poeta um romantismo profundo e até depressivo, mas um amor delicado e dedicado às mulheres, aos objetos, ás esculturas, ao mar e as histórias.

Claro, Neruda era canceriano, do 12 de julho, com características fortes: o lar, o mar, a comtemplação, os amigos, a comida e as artes.


Ao entrarmos na casa, pelos fundos, onde estão as toras de madeira para esquentar no inverno fomos recebidos por uma frase tipicamente “Neruda”: “regresé de mis viajes; navegué construyendo la alegria”.

Foto - O início da visita pela casa começa por esta parte: entrada da sala e depósito da lenha para a lareira.

A primeira sala que visitamos foi a sala principal.

Infelizmente, não tenho nenhuma foto da parte interna da casa pois não é autorizado.


"Neruda compró la casa de Isla Negra a un español socialista, viejo capitán de navío, retirado, que la construía para vivir con su familia. Como la casa estaba a medio hacer, el poeta pudo terminarla a su gusto; continuó la estrecha ala de cemento con un ancho living-room de piedra, en el cual abrió un enorme ventanal que causa el asombro de los arquitectos y entendidos: desde allí pueden verse la playa, el rompiente de olas, el vasto cielo y una larga extensión de costa que va hasta el puerto de San Antonio.” Margarita Aguirre (www.uchile.cl)


Nessa sala principal está a maioria dos “mascarones de proa”, estátuas de madeira que os navios levam na proa. Uma delas, de olhos de vidros que nos dias de inverno, parecem chorar por causa da umidade condensada com a calor da lareira.

Neruda dizia: “ ela chora com saudade do mar”.


Do outro lado da parede, a figura de um pirata enorme: “ele sempre foi apaixonado por ela; mas o amor e saudade do mar, não deixaram que esse amor se realizasse”.


Foto - Vista de o quarto de Neruda onde se vê a sala a esquerda e o corredor a direita, com peças de sua coletânea.

A sala é aconchegante com várias estátua de proa, copos coloridos, sofás com apoios de pés, uma parede de pedra aonde está a enorme lareira. A parede contrária dá uma vista ao mar, como outros tantos lugares da casa.


As próximas salas lembram o interior de navios: as portas pesadas de madeira, as cordas e a decoração. A gente precisa abaixar a cabeça ao passar pelas portas


A sala de jantar tem a mesa decorada tem jogos americanos com fotos de caravelas, cada uma com seu nome e ano. As janelas têm no seu parapeito, enormes garrafas de vidro: de um lado, garrafas com as cores do mar; do outro, com as cores da terra. A cozinha foi modificada, mas ainda guardam as panelas, pratos e talheres. Na porta da cozinha dizia:” não entre sem ser convidado”. Para Neruda, a cozinha guardava mistérios que ninguém podia desvendar. Não era do interesse de ninguém.


Depois, no escritório, as coleções de cachimbos, de garrafas com desenhos de areia (vindas do Brasil), outras com réplicas de barcos, coleção de borboletas, máscaras de todos os lugares do mundo. Ali também está um telescópio, que ele nunca pôde usar, pois já estava no hospital, antes de morrer e um enorme globo terrestre


Nessa sala, está “Guillermina, La Desbergonzada”: outra estátua de proa de navio; Escandalosa, isolada, olhando o mar. Estátua de seios à mostra, de peito aberto como quem enfrenta o vento abrindo o caminho pelo mar. Ele dizia sobre ela: ”Guillermina não pode ficar junto com as outras; ela pode convencê-las a mostrarem seus seios também”.


Poema sobre uma estátua de proa:

"En las arenas de Magallanes te recogimos cansada, navegante, inmóvil bajo la tempestad que tantas veces tu pecho dulce y doble desafió dividiendo en sus pezones...


A próxima sala lembra sua vida em Temuco: nela está um cavalo de madeira de tamanho natural e muitas peças indígenas.


Esse cavalo pertencia a uma loja. Durante anos, desde criança, Neruda foi admirador daquela figura enorme e encantadora. Anos depois, a loja sofreu um incêndio. O cavalo “sobreviveu”. Num leilão, Neruda o arrematou. Quando chegou à casa, Neruda fez uma festa ao cavalo convidando seus amigos. Cada um traria um presente. O cavalo recebeu estribo, chales de lã, freios e três rabos.


Pablo dizia: “ele é cavalo mais feliz do mundo, por que tem 03 rabos”. Para não decepcionar os amigos, os rabos foram colocados: 02, no lugar correspondente e 01, na base do pescoço.


A última sala, construída pela Fundação, tem todas as conchas recolhidas por Pablo Neruda ao redor do mundo. Outro momento significativo para os visitantes.


“Miles de pequeñas puertas submarinas se abrieron a mi conocimiento desde aquel día en que don Carlos de la Torre, ilustre malacólogo de Cuba, me regaló los mejores ejemplares de su colección. Desde entonces y al azar de mis viajes, recorrí los siete mares, acechándolos y buscándolos” P.N.

Foto - Vista do quarto de Neruda.

Não posso esquecer de seu quarto: um dos lugares mais poéticos da casa com vidraças grandes, deixando que o sol batesse na cabeceira da cama ao amanhecer e deixando que Pablo visse o pôr-do-sol olhando aos pés da cama. Ele pediu que construíssem um móvel de madeira na sua cabeceira para que a arrumadeira não mexesse na posição de sua cama. Ainda guardam sua roupas, fantasias e chapéus.


Foto - Descida do quarto ao pátio.


A vista do mar de cada canto e janela da casa é particularmente inspiradora. Pelas abertura, o mar, as árvores e o sol.


Do lado de fora da casa, outras histórias são contadas.



Existe um barco na frente da casa, “estacionado” na areia, ao lado de um campanário. O barco, dizia ele, era para convidar os amigos a tomarem “uns tragos”. Mas tinham que tomar até ficarem “mareados”. É que como Neruda era apenas apaixonado pelo mar e não era navegador, dizia que o objetivo era fazer de conta que recém haviam voltado do alto-mar. E para chamar os amigos, o campanário em forma de estrela.

A âncora (foto) foi trazida do sul do Chile para fazer parte de sua coleção.

Seu túmulo está ali, no jardim, declarando seu amor ao vento, ao sol, ao mar e a sua última esposa, Matilde, que descansa também ali.


Depois de tantas narrativas e histórias do poeta, tínhamos a nítida impressão de estar com ele por ali, atrás de cada porta, através de cada concha recolhida por todas as partes do mundo, de cada taça de vidro, de cada estátua de proa, de cada objeto harmoniosamente organizado pela Fundação Pablo Neruda.


Lá deixamos nossa admiração, nosso orgulho de ter sido um cidadão chileno tão exemplar, deixamos nossas lágrimas e nossa saudade.

Tudo lembra Neruda e a sensação é nítida de que ele está ali com cada visitante.


Terminamos nossa visita com um almoço tipicamente chileno, com visita ao mar, no restaurante dentro da Fundação: um saboroso filé de côngrio grelhado, que ainda me dá uma sensação agradável, não apenas pelo sabor, como pelas companhias.


É muito o que se pode falar da casa, de Neruda e de sua vida poética, cultural e política.


Despeço-me com um de seus poemas, escrito num cartão que a mami me comprou no Aeroporto, antes de partir:


-“Me gustas cuando callas por que estás como ausente, y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca.

Parece que los ojos se te hubieran volado y parece que un beso te cerrara la boca”


Ana Teresa – 04.Abril.05