
Tudo estava em torno da volta, do retorno, das lembranças...tudo misturado com as expectativas.
Exatamente o mesmo? Impossível. Para quê, não é?
2° - os Papis estariam lá e o Tonico, meu irmão mais velho, não (já teria voltado ao Brasil).
3° - estariam os Deweys, casal de norte-americanos pais do Tom. Isso acabou fazendo da viagem, um roteiro “completamente” diferente.
Aliás, seria (e foi) um prazer participar dessa nova aventura pelo mundo e participar da 5ª viagem do quarteto.
Pois isso, reservei minhas férias para passear com eles.
Em outras palavras, eu queria me divertir.
Esse foi meu intuito: relaxar, esquecer do trabalho, pensar outras coisas, ver outro mundo, sentir outros cheiros...de uma nova forma.
Mas não posso esquecer que minha ida se deu a uma vontade interna enorme de rever a Nanita e o Toño, meus tios.
Depois da doença pulmonar da Nanita, comecei a ligar a Santiago com maior freqüência. Imaginei e senti que precisaria conversar com a Nanita pessoalmente e vê-la de perto. Adoro suas conversas, suas histórias de bastidores, seus comentários e sua paciência de ouvir, sua vontade de participar, de comentar sobre minhas histórias, dizer frases de efeito e rir comigo.
Até que eu estivesse com a passagem na mão, ela não acreditava que eu estaria com ela em algumas horas.
Por outro lado, me senti em dívida com o Toño que tantas vezes me disse ao telefone: “mi querida sobrina, estaremos aqui esperándote; esta es tu casa cuando la necesites; esperamos que vengas pronto”. Queria muito vê-lo.
Mas não posso esquecer dos imensos favores e gentilezas que os Deweys me fizeram quando estive na Califórnia. Acho que essa era outra dívida: a retribuição. No momento em que eu tinha decidido ir ao Chile e participar das aventuras deles, liguei para Orinda, para comunicar-lhes minha alegria. Acho que num primeiro momento, ficaram um pouco assustados. Afinal, o que eu faria no meio deles. Mas durante a viagem, eles me deram a grande tarefa de ser a “navegadora” do motorista Brad. Assumi com todo meu coração.
Num determinado momento, a Carol me disse: “estamos muitos felizes de que tu estejas aqui conosco; se é que tu ainda não o saibas; estamos muito, muito felizes”, me dando batidinhas nas costas.
Era lá que eu tinha escolhido estar, depois de tantos anos.
E lá consegui esquecer de tudo.
A natureza nos deu presentes como o de Puerto Varas na última noite no Chile para os Deweys: um anoitecer de lua cheia, fazendo um “desfile” por cima do Vulcán Osorno e brilhando no Lago Llanquihue. Para encerrar essa noite magnífica, cantei aos Deweys “Si vas para Chile” traduzindo cada palavra, em homenagem a eles.

Acabamos todos emocionados. Lembrei que tínhamos passados por todos aqueles lugares que a canção mencionava e que agora eles a compreenderiam melhor. Minha primeira frase logo após eles terem aterrizado no Chile foi “You will love Chile!”. Senti que eles ficaram surpresos, como quem quer dizer “como ela nos diz isso com tanta certeza?”.
E vou terminar esta narrativa dizendo que tive um privilégio que poucos tiveram: comi a empanada mais suculenta, macia, perfumada e saborosa de toda minha vida – A empanada da Nanita!


















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No Brasil, em Pelotas, em 1965 e 1966, nasciam outras duas irmãs: Ana Teresa e Maria Eliana Soto Vidal.
E em 2005 e 2007, em Porto Alegre, as duas últimas desse quarteto duplo: Potira e Catarina Lopes Vidal.


