Iniciamos este blog em outubro de 2008, para divulgar o lançamento do livro de Francisco Dias da Costa Vidal sobre suas memórias da Praia do Hermenegildo. Mas continuaremos contando sobre nossos passeios, nossas experiências, nossas artes, e as novidades do nosso Planeta. Convidamos a todos os amigos a participarem e assim, continuarem a fazer parte da nossa história! Sejam Bem-vindos!

sábado, 13 de novembro de 2010

Chile...o retorno com sabor a empanada!


Foto - Puerto Mont, no Mercado de Angelmó - comida, música e muitas alegria.


Escolhi este título por que foi uma frase repetida por lá - sabor a empanada!

Tudo estava em torno da volta, do retorno, das lembranças...tudo misturado com as expectativas.

Havia 10 anos que não voltava ao Chile. Desta vez, faria exatamente o mesmo itinerário de anos anteriores.
Exatamente o mesmo? Impossível. Para quê, não é?

Muitas coisas, desta vez, haviam de diferente. Creio que muitas...confesso, quase todas. Nada era igual como antes.
1° - eu estaria partindo do Rio de Janeiro (calor, praia, turismo...), e não mais do sul do Brasil (frio, serra...). Isso me daria um outro olhar.

2° - os Papis estariam lá e o Tonico, meu irmão mais velho, não (já teria voltado ao Brasil).

3° - estariam os Deweys, casal de norte-americanos pais do Tom. Isso acabou fazendo da viagem, um roteiro “completamente” diferente.

Aliás, seria (e foi) um prazer participar dessa nova aventura pelo mundo e participar da 5ª viagem do quarteto.

Pois isso, reservei minhas férias para passear com eles.
Em outras palavras, eu queria me divertir.
Esse foi meu intuito: relaxar, esquecer do trabalho, pensar outras coisas, ver outro mundo, sentir outros cheiros...de uma nova forma.

Mas não posso esquecer que minha ida se deu a uma vontade interna enorme de rever a Nanita e o Toño, meus tios.

Depois da doença pulmonar da Nanita, comecei a ligar a Santiago com maior freqüência. Imaginei e senti que precisaria conversar com a Nanita pessoalmente e vê-la de perto. Adoro suas conversas, suas histórias de bastidores, seus comentários e sua paciência de ouvir, sua vontade de participar, de comentar sobre minhas histórias, dizer frases de efeito e rir comigo.

Até que eu estivesse com a passagem na mão, ela não acreditava que eu estaria com ela em algumas horas.

Por outro lado, me senti em dívida com o Toño que tantas vezes me disse ao telefone: “mi querida sobrina, estaremos aqui esperándote; esta es tu casa cuando la necesites; esperamos que vengas pronto”. Queria muito vê-lo.

Mas não posso esquecer dos imensos favores e gentilezas que os Deweys me fizeram quando estive na Califórnia. Acho que essa era outra dívida: a retribuição. No momento em que eu tinha decidido ir ao Chile e participar das aventuras deles, liguei para Orinda, para comunicar-lhes minha alegria. Acho que num primeiro momento, ficaram um pouco assustados. Afinal, o que eu faria no meio deles. Mas durante a viagem, eles me deram a grande tarefa de ser a “navegadora” do motorista Brad. Assumi com todo meu coração.

Num determinado momento, a Carol me disse: “estamos muitos felizes de que tu estejas aqui conosco; se é que tu ainda não o saibas; estamos muito, muito felizes”, me dando batidinhas nas costas.

Então, o retorno ao “país das maravilhas”, das paisagens, das águas termais, dos mapuches, das feirantes de rua, dos peixes, dos vinhos e vinhedos, do mar, das montanhas e “cerros”, das estradas perfeitas, das surpresas, de Doñihue, dos “pasteles de choclo”, do artesanato, das empanadas, dos mercados municipais, dos festivais de Viña, dos ponchos, dos “duraznos”, do cobre, dos rios, das corredeiras, do lapislazuli, dos vulcões e lagos, do pisco, dos colonos, espanhóis, alemães, índios...ufa!...e como se tudo isso não bastasse, o país de Pablo Neruda e Gabriela Mistral.

Era lá que eu tinha escolhido estar, depois de tantos anos.

E lá consegui esquecer de tudo.

Quando retornei ao trabalho, me perguntaram se tinha descansado. Foi impossível dizer que sim. Eu estava exausta! Eu estava meio hipnotizada e desnorteada. O corpo estava cansado de ver tantas coisas, de conversar com tantas pessoas, de variar tanto as imagens que se apresentavam na minha frente a cada dia.

Cada anoitecer guardava uma surpresa para o dia seguinte. As novidades se desvendavam a cada momento. Cada cidade guardava seu encanto. O que estava planejado , não era exatamente o que ia acontecer: tudo vinha enriquecido da humanidade e das imagens que até hoje me vem à mente.



Foto - Mercado de Santiago, passeio obrigatório.

O roteiro foi intenso, desde Santiago, a Viña del Mar, Valparaíso (por três dias) e logo depois mais de 1000km vencidos até o sul: de trem até Temuco e de carro até Puerto Mont, atravessando as terras de Pucón, Villarica, Valdivia, Termas de Puyehue e Puerto Varas.

A natureza nos deu presentes como o de Puerto Varas na última noite no Chile para os Deweys: um anoitecer de lua cheia, fazendo um “desfile” por cima do Vulcán Osorno e brilhando no Lago Llanquihue. Para encerrar essa noite magnífica, cantei aos Deweys “Si vas para Chile” traduzindo cada palavra, em homenagem a eles.



Foto - Puerto Varas, no sul, no último dia no Chile. Eu seguiria a Santiago dois dias depois.

Acabamos todos emocionados. Lembrei que tínhamos passados por todos aqueles lugares que a canção mencionava e que agora eles a compreenderiam melhor. Minha primeira frase logo após eles terem aterrizado no Chile foi “You will love Chile!”. Senti que eles ficaram surpresos, como quem quer dizer “como ela nos diz isso com tanta certeza?”.

E vou terminar esta narrativa dizendo que tive um privilégio que poucos tiveram: comi a empanada mais suculenta, macia, perfumada e saborosa de toda minha vida – A empanada da Nanita!
Fiquem com esse sabor, que eu sei que todos um dia já sentiram e fazem questão de não esquecer.

Ana Teresa – 11.Março.05

Foto - Feira do bairro perto da casa de minha tia - passeio obrigatório, mas naquele dia ela teve companhia. O Chile é o país das frutas grandes e saborosas.


Foto - Forno de barro e as famosas empanadas legírimas chilenas na Feira do Dominicos.


Foto - em Santiago, o Mercado - merece uma visita especial com almoço típico. Muitos frutos do mar, algas e peixes


Foto - Ainda no Mercado, comprando azeitonas pretas, as mais macias e saborosas que já comi. Encomenda especial da minha tia.


Foto - Em Doñihue, terra natal dos meus avós, minha tia colhendo boldo nos fundos do pátio da casa de parentes.


Foto - Sobremesa melhor não existe! A melancia chilena de sementes pretas e de "fechar o comércio" e meu pai não nega um belo pedação. É assim que os chilenos comem - um pedação.


Foto - Nueva Imperial, pertinho de Temuco. Fomos até lá para ver o CHILE Tipico - e conseguimos - na praça uma mulher com trajes indígenas da região e esta feira de flores, frutos, vegetais e queijos. Todos nos olhavam e riam porque tirávamos fotos da feira.


Foto - Puerto de Angelmó - porto, restaurantes, mercado e shopping. Lá tem um cheiro de Chile. Lá tem tudo. Lá tem música ao vivo, comida típica com os frutos do mar do sul. Tudo que a gente quiser achar de lã, ponchos, chapéus, blusões, luvas, mantas, artesanato com pedras chilenas (lapis-lazuli) e muitas coisas inesperadas acontecem.


Foto - Festança em Valdívia, regada com empanadas.

domingo, 7 de novembro de 2010

Os mineiros, a mina e eu

Os mineiros e "rescatistas" (socorristas) chilenos estão de parabéns!
O Chile, desde muitos anos, se prepara para as tragédias.
Os terremotos que abalam o país desde sempre são os principais motivos de treinamentos.
Nas escolas, as simulações de situações de risco, são obrigatórias.



Desta vez, os chilenos deram um exemplo ao mundo de eficiência e preparo.
Apesar da mina São José, em Copiapó, norte do Chile (onde os chilenos
ficaram soterrados durante cerca de 68 dias), não ser o melhor exemplo de segurança aos trabalhadores, com falhas nas medidas e nas condições de segurança, o
resgate foi vitorioso.
O presidente Sebastian Piñera, o Ministro de Minas, os socorristas, os
familiares e o povo chileno foram partícipes diretos da saída deles das
profundezas.

Naquela noite, do dia 13 de outubro de 2010, quando o terceiro mineiro saia, liguei
para Santiago. Minha mãe dizia da emoção e comoção de todos por lá e disse
-"todos os sinos das Igrejas estão tocando!"
Assistimos tudo on time através da tv e on line pela internet.
A "quase" tragédia foi divulgada por todos os meios de comunicação e mudou positivamente a imagem do Chile perante o mundo todo.
Mas para nós, apesar de não termos nem parentes nem amigos diretamente envolvidos, o acontecimento teve um outro siginificado - lembranças das pessoas, dos parentes e das histórias contadas por eles.

Nosso primo, Gustavo, trabalha lá na região como engenheiro de minas, mas com ele nada aconteceu.
Mas me lembrei das histórias que minha mãe contava sobre a mina "El Teniente", na vila de Sewell, ao sul de Santiago.
Neste ano, em maio, eu e ela estávamos no Chile, pelo falecimento da minha tia Nanita (já postado aqui).
Lá, encontramos com Inecita, afilhada da minha tia Tegualda, falecida em 1962. Tegualda, conhecida como "Guatona" era casada com engenheiro de minas, Eng. Agustín Larrain, e morou em Sewell (que os chilenos dizem "suhuel") por mais de 25 anos.
Quando Larrain e Tegualda casaram foram morar em Sewell. Lá ficaram por uns 4 ou 5 anos. Larrain já doente, pela perda de um rim com um acidente acontecido nas minas, teve que retornar a Santiago para ser tratado.
Larrain teve um grande amigo durante seu tempo em Sewell, Eng de Minas Rômulo Lizana, casado com Inez de los Reyes, com quem teve Inecita. Inez era filha do prefeito de Machali e levou Tegualda até aquela cidade para apresentá-la a um amigo - seu futuro marido Agustin, solteirão que acabava de perder a mãe. Ele 20 anos mais velho que ela. E se casaram menos de um ano depois.
Minha mãe, ia passar as férias de verão em Sewell e por alguns anos passeava por lá em companhia da Inecita. Tinha que levá-la a tomar banho de raios ultravioletas. Em Sewell há pouco sol durante o ano e banhos como esses sempre foram necessários para se evitar doenças, como o raquitismo.
Foto - Inecita e minha mãe, em Santiago (mai.2010)


Foto - Minha Tia Tegualda e meu tio, Eng Agustin Larrain, na mina El Teniente.
Elas aproveitaram para recordar alguns momentos da adolescência e eu para perguntar tudo o que podia, para entender nossa história.
Ouvindo, vi como tudo foi marcante para elas. Riam de tudo - as brincadeiras, as briguinhas, os passeios, as subidas e descidas pelas escadaria e a neve e o frio nas montanhas.





Mas o que foi Sewell e a Mina El Teniente?
Encravada nos Andes, 120km ao sul de Santiago e 50km a oeste de Rancágua, Sewell fica a 2400m sobre o nivel do mar. Um lugar particular, cheio de histórias e diferente de tudo - impossível não ser de outra forma.


Esta mina tem começo na época pré-hispânica com os indígenas da região. Em 1822, as terras foram recebidas por herança e adquirida por Juan de Dios Correa, que foi tenente de Bernardo O'Higgins na Batalha de Maipu. Em 1897, Enrique Concha y Toro comprou a fazenda. Em 1903 vendida ao americano Willian Braden que iniciou a industrialização da mina com a empresa Rancagua Mines. Logo após, a mudou o nome para Braden Cooper Company em sociedade com Barton Sewell, um alto executivo americano.

De 1908 a 1940, a produção passou de 250 toneladas por dia para 20mil
toneladas, trocando também de proprietários da mina.
Em 1945, 355 mineros morreram por asfixia de monóxido de carbono.
Em 1965, a mina produzia cerca de 75 mil toneladas por dia.
Em 1967, o governo chileno comprou 51% das ações da empresa e começou a
nacionalização da mina.
Em 1960, foi o auge em número de habitantes - cerca de 15 mil - em Sewell e
em 1971, 100% nacionalizada, começaram a ser transferidos a Rancágua, porque o
Estado não conseguia sustentar os altos custos da vila. Em 1977, havia apenas
1500 pessoas em Sewell.
Nos anos 80, a mina começa a mostrar sinais de término do mineral
secundário e começa a exploração do mineral primário, em pedra mais dura e com
um processo mais caro de extração.




Com cecrca de 2400 km de galerias subterrâneas, a mina "El Teniente" é considerada a mina de cobre maior de mundo. Em 2006, a vila foi declarada Patrimonio da Humanidade pela UNESCO.

Lá os mineiros, depois de viverem nas galerias, de forma subhumanas, passaram a viver em uma das melhores vilas da regiao - Sewell.
Por influência americana, a vila se tornou um lugar moderno, com estrutura de cidade de primeiro mundo. Os trabalhadores morava melhor que muitos chilenos. Havia um hospital, cinema, piscinas termais e escola.

Hoje, só restam algumas casas na parte central. As demais, foram demolidas.



Para conhecer Sewell, existem passeios turisticos que saem de Santiago e fazem visitatambém a mina.

Os mineiros, a mina El Teniente e eu
Interessei-me por este assunto. Minha estada em Santiago neste ano, me fez relembrar e investigar as histórias da minha familia. O acidente trouxe tudo à memória.
Por três vezes neste ano, o assunto se repetiu.
Os mineiros, a mina e eu!!!
Sabe-se que ao redor do mundo, existem milhões de mineiros.
Muitos morrem todos os anos por condições inseguras ou descaso.
Eles são corajosos, sofridos e até o momento, ignorados por muitos de nós.
Mas certamente após este acidente, não apenas eles, mas as regras serão lembradas e revisadas.
Assim, menos mineiros morreram, menos mineiros ficarão doentes e menos famílias sofrerão.
E o futuro?

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A caixinha está comigo e a foto ainda dentro dela!

Estamos aqui de novo, pessoal, recordando acontecimentos!

Quando estive em Libertad 450, em Santiago do Chile, neste ano, logo após o falecimento da Nanita, encontrei esta foto.

Encontrá-la pode ter sido algo simples. Até comum. Afinal, fotos antigas, podemos encontrar sempre. Mas não nas circunstâncias que a encontrei.

A semana estava sendo muito dura para nós. Mexer nas coisinhas dela e ainda ouvir que alguns queriam levar tudo dela, não era agradável. Talvez nada ficasse lá, se ela não tivesse algumas pessoas que cuidassem das "coisinhas" dela.

Como vocês viram em um post deste blog, antes de mexer nos livros da Nanita, pedi licença a ela. Conversei baixinho e disse que se ela estivesse ali, me vendo, que ela tivesse a certeza de que eu ia ver coisinha por coisinha, com todo respeito. Afinal, tudo era dela e, muitas delas, coisas que ela nunca deixava mexer, como "el cajón de los recuerdos". Ele ficava em baixo da escada e nem tinha tantas coisas pessoais, mas simbólicas e, lógico, significativas para a Nani.

Foi então que, mexendo nos livros e estando lá em Libertad, uma caixinha pequenininha me chamou a atenção. Não sei por que olhava para ela sempre. Fiquei intrigada porque os desenhos, em cima talhados em madeira, eram de araucárias. Parecidos com uns quadrinhos que estavam na parede, na entrada à direita, segundo a Mami eram presentes do Brasil (parece que do Papi). Talvez aquela caixinha não tivesse muito significado. Estava ali, ao lado da TV. Talvez com medo que se perdesse ou que continuasse sem muito significado, pedi para pegá-la e trazê-la comigo.

Depois de tanto olhá-la, naquela semana, abri.

Dentro dela estava esta foto minha com 11 dias, no colo da Mami e o Carlos Eugênio (na época com quase 2 anos) e o José Cláudio (com 3 anos e meio) olhando para mim. No verso, a descrição da foto, com letra da Mami.

Quase tive um "treco" no coração!

Eu sabia que ela estava ali por perto. Nossa! como senti a presença dela.

A caixa está aqui comigo e a foto está dentro dela ainda.

Saudade de ti!
Ana Teresa

domingo, 31 de outubro de 2010

Dilma deu as caras na Lobo da Costa

Dilma não ganhou em Pelotas nem no Rio Grande do Sul, mas se impôs no Brasil como a primeira mulher presidente no Brasil.

No Chile, Michelle deu certo, mas não tinha um líder masculino do lado (somente o pai falecido). Na Argentina, Cristina tinha o homem dando força, apesar de que - semana passada - morreu estando ela ainda no poder.

Voltando de uma caminhada pela cidade hoje à tarde, reparei que havia um adesivo da Dilma colado na calçada, defronte ao portãozinho da Lobo da Costa. Pequeno e solitário, não tinha por que estar ali, até porque a cidade estava limpa de propaganda. Vendo mais de perto, o santinho deu uma boa imagem, no meio das lajotas.

Será que essa santa faz milagre? Já que ela não tem marido ou pai inspirador, esperar-se-ia o passamento de Lula?

sábado, 30 de outubro de 2010

Ministério Público já pediu interdição da boate

Nesta quarta 27, o Diário Popular informou que o Ministério Público apresentou ação contra a boate To Atoa City Hall, sem mencionar este nome no texto (leia a notícia). A casa foi inaugurada há três meses, ainda sem alvará, pondo à prova a paciência dos vizinhos e na onda da impunidade habitual de quem faz festas noturnas em pleno centro de Pelotas.

As pressões levaram o empresário a melhorar a proteção contra ruídos, que é uma das exigências para casas noturnas. No entanto, quando as festas estão acontecendo, a proteção fica de enfeite, pois parece não haver ventilação lá dentro e todas as janelas são abertas e difundem o ruído, até 5h da manhã. A essa hora a Prefeitura não faz verificações pelo crime ambiental, e a Brigada Militar não aceita essas denúncias, por pertencerem à competência municipal.

Logo, as reclamações se chocam com a existência de proteções acústicas adequadas: constatado que essas proteções existam fisicamente (mesmo que não sejam usadas), os protestos dos vizinhos deixam de ter sentido legal e passam a ser ignorados.

Outras exigências municipais também não foram cumpridas, como por exemplo as assinaturas de aprovação dos moradores vizinhos. O Ministério Público teve acesso à lista que a boate apresentou: constam 38 nomes e 20 deles são de trabalhadores de empresas próximas (comprovado pelos endereços): a fruteira, a loja de animais e a academia da Tiradentes, a locadora, produtora e o hotel da Gonçalves Chaves, os locais do edifício pela Lobo da Costa, os dois pontos do Detran na Santa Cruz. Só isso já invalida o alvará concedido pela Prefeitura, mas a decisão judicial deverá sair daqui a algum tempo. Enquanto isso, durma-se com um frege desses.

domingo, 24 de outubro de 2010

Bicuda na primavera!

Morar no Estado do Rio de Janeiro significa, dentre tantas coisas, aproveitar as estações.

Diferente dos lugares do sul onde morei, aqui todo tempo é tempo, todo mês se pode tomar um banho de cachoeira ou de mar.

Isso pode não ser de grande importância para quem mora aqui nesta região privilegiada, mas para nós que somos do sul, que ficamos meses sem poder pensar em aproveitar um banho revitalizante ao ar livre, é muito.

Saindo de Macaé em direção a Glicério, logo após o assentamento de Sem Terras (fixado ali há anos), toma-se a esquerda em direção a Bicuda.

O caminho é lindo, com trechos poucos sinuosos, com trechos de asfalto e de terra, mas sem perigo para qualquer tipo de carro.
Esta é a última parada de ônibus. Dali já se avista a Bicuda Grande.

Até a cachoeira são poucos quilômetros. A vista é cada vez mais linda, cheia de novidades: a ponte acima e logo abaixo a cachoeira com diversas quedas.

As imagens dizem tudo! Se tiver a oportunidade, vá até lá, com amigos, com a família ou até sozinho.

Todo mundo merece um banho como este, num final de semana!



Existem muitas pequenas cachoeiras, onde se pode aproveitar para fazer um relax completo.



A única vontade é de ficar por lá, mas infelizmente, a região ainda nao tem muitos hotéis.

Mas também é bom pegar a estrada a noite e voltar para casa, com um pôr do sol desses!
E ainda é primavera!!!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Boate a mil

Esta madrugada a boate To Atoa City Hall aprontou de novo, ficando o maior show fora do local, após as 5h, na rua Santa Cruz.

Quinta e sábado passados, o barulho foi o habitual, e neste pré-feriado amainou levemente, deixando até a possibilidade de as pessoas mais cansadas pegarem no sono.

O zum-zum me fez pensar num rádio ligado (há quem durma só com a Pelotense ou a Guaíba em onda média, ou a Belgrano em onda curta), mas às 5 e meia a gritaria era tanta na rua que não dava pra ficar tranquilo.
Comecei a fotografar e enviei um texto com imagens ao Amigos de Pelotas. O Rubens publicou na mesma hora e logo originou comentários: leia o post.

Mandei fotos que seria difícil publicar, mas é o que se vê aqui cada vez ao amanhecer: guris e gurias saindo bêbados e gritando. O cuidador de carros teria dado uma boa foto: ele juntava latas e já estava com um saco bem cheio, aproveitando de beber os restos de cerveja que ficavam.

Chamei a Brigada às 5:35 ao ver um início de briga entre motoristas (foto no Amigos), e a viatura passou 25 minutos depois. Era uma camionete pesada, com três soldados fortes, mas eles só passaram olhando, talvez por esperarem alguma guerra civil.

Às seis da manhã o Diário da Manhã foi entregue no edifício e o porteiro ficou lendo na porta, enquanto via o espetáculo da gurizada bêbada (foto no Amigos).

Um trio bebia no meio da rua mesmo (foto acima, lado direito). Um taxista chegou e estacionou defronte, esperando possíveis clientes, mas preferiu esperar dentro do carro. Um grupo estressado se reuniu na esquina da Tiradentes, conversando em pleno meio da rua, bem visível de longe, pela luz natural (foto maior acima).

Aos poucos, os clientes saíam, resolvendo seus problemas fictícios (abaixo), até que às 6:45 tudo voltou à calma. Perto das seis e quinze, guardas da boate saíram para recolher vidros na sarjeta (à direita, clique na foto para ampliar).

Às seis e meia o porteiro da manhã chegou e olhava espantado a bagunça (foto acima à esquerda), na porta ainda iluminada de verde, que da minha janela não dá pra ver.

Vagner lança seu primeiro livro

O amigo Vagner Silva da Cunha lançará sua primeira obra publicada, no sábado 30 de outubro, na Feira do Livro de Pelotas. O texto deriva de sua dissertação de mestrado em Política Social, sobre a visão dos conselheiros pelotenses em torno à idade de imputabilidade penal e a filosofia punitivista.

Ele convida os interessados a ver o livro na livraria da Educat e a assistir à sessão de autógrafos, das 18 às 20h no estande de escritores. Darei notícias mais adiante.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Decibelímetro acusa crime ambiental

Esta madrugada foi feita uma medição acústica do nível de ruído emitido pela boate instalada há um par de meses na Santa Cruz.

O funcionário da Secretaria de Qualidade Ambiental entrou pelo portão da Lobo da Costa, para evitar ser reconhecido pelo porteiro deles, se usasse a nossa porta da frente. Fez medições com o decibelímetro no pátio e no escritório, primeiro com a janela fechada (deu entre 48 e 57 decibéis, foto à esquerda) e depois com a janela aberta (deu 66, foto abaixo). A lei autoriza até 45 decibéis à noite. Com essas medições que evidenciam o delito contra a lei de silêncio, a boate poderia ser fechada automaticamente.

Desde julho, a casa noturna já tem autorização da Secretaria de Urbanismo, por ter sido mostrado o necessário isolamento acústico, mediante relatório de uma engenheira. No entanto, os fundos deles estão sem proteção, fazendo que da rua Santa Cruz se ouça pouco ruído, e por trás o som se projete muito bem, e chegue até a Gonçalves Chaves. A falha amerita um processo contra o procedimento administrativo dessa Secretaria, ou contra a engenheira que assinou informação incorreta.

Portanto, o ruído medido à 1h30 min desta sexta demonstra a infração às normas ambientais e denuncia a incorreção dos métodos da Secretaria de Urbanismo.

sábado, 7 de agosto de 2010

AS DUAS "HERMANAS"

"Era uma vez, duas irmãs...", dizia a historinha...

Nada disso...A historinha deveria ser:
"Era uma vez, quatro vezes duas irmãs!!!
Não entendeu? Vou explicar!

No Chile, lá pelo ano 1890 nasciam duas irmãs: Inderina del Transito e Maria Rosa Peralta Faunne.
Lá pelos anos de 1926/28, nasciam outras duas irmãs: Clara Eliana Concepción e Ana Elisa Soto Peralta.
No Brasil, em Pelotas, em 1965 e 1966, nasciam outras duas irmãs: Ana Teresa e Maria Eliana Soto Vidal. E em 2005 e 2007, em Porto Alegre, as duas últimas desse quarteto duplo: Potira e Catarina Lopes Vidal.
Todas da mesma arvore genealógica, em gerações consecutivas e com algumas características particulares e muitas vezes com jeitinhos diferentes e individuais de ser e reagir.
Uma mais resistente, mais forte, mais individual, mais comunicativa, mais mimosa, mais frágil, e sempre de cada uma das duplas, sempre uma sem manha nenhuma para comer bem!!!

domingo, 1 de agosto de 2010

Casa do barulho na Santa Cruz

Esta noite de 31 de julho foi inaugurada nova casa noturna, justo ao lado do sobrado da Santa Cruz. A festa começou às 23h com DJ, seguiu com grupos musicais a partir da meia-noite e a esta hora em que escrevo, cinco e meia da manhã de domingo, a animação ainda não decaiu. A imagem à esquerda foi tomada às 20 horas.

Ouve-se aqui dentro de casa, com certa moderação, o ruído do ambiente interno da boate (posso ouvir o que falo, mas não posso dormir). Por momentos se ouvem também os mais fortes barulhos da rua, como se fosse dia, mas de um dia de bebedeira: buzinas, freadas, gritos de homens e mulheres, e carros alegóricos sonoros dos carnavalescos ébrios.

Não bastando a psicopatia social do brasileiro para divertir-se saudavelmente, a casa To Atoa City Hall ainda tem a cara-de-pau de iluminar a fachada para fazer parecer que a invasão da noite é legítima, bela e elegante.

Depois das cinco e meia os holofotes ainda foram provocativamente direcionados para o edifício defronte, como se vê na segunda foto, e alguns carros obstruíam a rua, donos do espaço como os cachorros de estrada fazem de madrugada.

O bairro é central, e a prefeitura permite por isso que se tomem estas iniciativas comerciais, o que não ocorreria em bairros. A casa que havia há um ano na mesma quadra foi fechada não pela prefeitura, mas pela Polícia Federal, quando descobriu vinculações com lavagem de dinheiro.

Perdão pela má notícia, mas um desabafo é preciso, já que ninguém fará nada para coibir a liberdade do povo que elegeu Fetter e Lula.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Aos meus amigos!

"Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores,

mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.

Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida...

mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e

não os procure sempre..."

V. de M.

Meus amigos estão em várias partes do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, do Paraná, do Rio de Janeiro...nos lugares onde passei anos de minha vida; ou até fora daqui, perto: na America Latina ou até longe, muito longe, onde ninguém pode imaginar. Até no mais alto dos Céus.

Alguns novos, muito novos e outros desde o dia em que nasci.

Amizade não se mede pela distância ou pelo tempo, claro.

Eu diria que nem pela intensidade.

Vivi amizades que começaram rápidas, apenas alguns olhares; outras que não duraram no final de uma longa caminhada.

Mas então, será que Vinicius de Moraes tinha razão?

Acho que sim: eu enlouqueceria se morressem todos os meus amigos.

Um dia alguém me perguntou se tenho muitos amigos, se chega a uma mão ou duas.

Mesmo tendo que responder a pergunta de alguém que não acrediaria na minha respota, falei:

- "tenho muito mais do que isso".

Não quero nem posso exigir que todos os meus amigos sejam aqueles a quem confesso meus temores. Nem que dividam todas as viagens comigo; nem que entendam meus sonhos, nem que rima do que rio. Nem pediria a eles que gostem do que gosto ou do que faço, por que nisso também tenho minhas preferências, minhas distrações, minhas cores e minhas melodias.

Aliás, não pediria nada a eles, absolutamente nada.

Por que sei que cada um deles estará lá, no momento certo, na hora certa, com a intenção certa.

E como eles, eu estarei lá, impecável, imutável e fiel.

"Lá" é qualquer lugar; "lá" é em todo o lugar que a amizade possa nos levar!

Meus amigos de longe, de muito longe ou meus amigos daqui de perto, cada um tem seu lugar na minha vida. Com vocês minha vida foi construida.

Essa é minha homenagem hoje para cada um de vocês...FELIZ DIA DO AMIGO!!!

E que Deus me dê a Benção de tê-los sempre perto da alma!

20 de Julho de 2010


Minha homenagem a minha tia...amiga com quem dividi tantas horas de minha vida e, algumas poucas vezes, um copinho de vinho!